Desde o começo da década de noventa, o Poder Legislativo brasileiro, tem sido personagem de diversos episódios de corrupção, imoralidade e improbidade. Desde os anões do orçamento, à compra de votos para a emenda da reeleição, o mensalão, a máfia das ambulâncias, atos secretos, entre outros, são escândalos protagonizados pelo Congresso Nacional.
Entretanto, a pergunta que deve ser feita é por que esses escândalos sempre “estouram” no legislativo? Será que nos outros poderes não há casos graves de corrupção? Será que o Judiciário não tem corruptos? E no Poder Executivo?
A resposta é simples: o Legislativo é o mais fraco dos três poderes.
O Judiciário é extremamente corporativista, onde todos os membros se defendem mutuamente e principalmente defendem o prestígio e a honra do Poder do qual fazem parte. Isso resta provado ao observar a força que tem a OAB – Ordem dos Advogados do Brasil e a AMB – Associação dos Magistrados Brasileiros.
O Executivo possui um chefe, o Presidente da República e seus indicados em cargos de confiança estão espalhados por toda a Administração, garantindo que a imagem de seus superiores e principalmente do Presidente seja preservada. Além de possuir uma fabulosa verba para gastos em anúncios e em publicidade.
Já o Legislativo é composto por 584 cidadãos (513 deputados e 81 senadores) que a cada quatro anos disputam eleições e que para serem votados devem aparecer. Desta forma, muitas vezes seus colegas são rivais ou até mesmo inimigos. Enfim, no Congresso é cada um por si.
E é nesse cenário que entra a Imprensa, o quarto poder. Poder esse que, hoje em dia, no Brasil, não tem limites. A imprensa investiga, “processa” e condena. Na maioria das vezes, sem a menor possibilidade de defesa do “acusado”. Pelos motivos explicados acima, fica evidente que o alvo preferido da imprensa é o Poder Legislativo. O Judiciário é unido e por isso forte. O Executivo é responsável por boa parte do faturamento dos grandes veículos. Logo, só lhes resta atacar o Legislativo que além de desunido, não tem nenhuma carta na manga.
É importante deixar claro que não se almeja uma censura a imprensa ou um controle prévio, mas sim que ela seja responsabilizada pelo que pública. Que quando destrua a vida de cidadãos de bem, como no famoso caso do Deputado Federal Ibsen Pinheiro. Ibsen, na época Presidente da Câmara, foi acusado por uma revista semanal de ter movimentado um milhão de reais sem comprovar a origem. Por causa disso, teve seu mandato cassado e seus direitos políticos suspensos por oito anos. Vários anos depois, outra revista semanal descobriu que o repórter da publicação que divulgou o suposto escândalo havia confundido os números e que Ibsen na verdade tinha movimentado apenas mil reais. O episódio passou completamente impune, merecendo apenas uma menção no editorial da publicação lamentando o ocorrido.
São muitos os outros casos em que a imprensa destruiu a vida de parlamentares e posteriormente, no Judiciário, essas mesmas pessoas não sofrem nenhum revés. O que se vê nessas notícias é uma tentativa da imprensa de ocupar um espaço que não lhe pertence tentando deslegitimar e enfraquecer um Poder Constitucionalmente constituído e fundamental para o pleno exercício da democracia.
Colaborou: Camila Martendal
Colaborou: Camila Martendal
Parabéns pelo Blog, meu amor! Escreves muito bem e agora é só continuar postando! Te amo muito! ;D
ResponderExcluirConcordo Vi. Adicionando ao assunto, mas por outra perspectiva. Não te parece que pelo fato de os representantes efetivos do legislativo se encontrarem em grande número e, como você mesmo disse, em uma relação de cada um por si, os escândalos no legislativo acabam o diferenciando dos outros poderes de algumas maneiras como:
ResponderExcluir*Os escândalos acabam ficando no âmbito das acusações mal fundamentadas. Que por sua vez sofrem a réplica de outras acusações igualmente sem fundamentos;
*Através de julgamentos meramente políticos cabeças rolam antes de qualquer investigação decente ser instaurada;
*Cria-se um mal estar difuso por parte da sociedade perante o legislativo, que acaba também por aumentar a citada agressividade da imprensa (ou ao menos da má imprensa, que não checa suas fontes) para com o legislativo?
Sem muito conhecimento de causa, apenas levantando a bola